Dei Verbum


O que é o Dei Verbum?

Dei Verbum é uma expressão em Latim que em Português significa O Verbo de Deus. Trata-se de uma constituição dogmática da Igreja Católica em forma de Bula pontifícia e é um dos principais documentos do  Concílio Vaticano II.

É designada “constituição dogmática” por conter e tratar de “matéria de fé.” De fato, o seu conteúdo aborda o delicado e complexo problema da relação entre as Sagradas Escrituras e a Tradição.

Esta constituição estabeleceu a seguinte relação complexa entre a Revelação divina, as Sagradas Escrituras (Bíblia) e a Tradição:

A sagrada Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito Santo; a sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, para que eles, com a luz do Espírito de verdade, a conservem, a exponham e a difundam fielmente na sua pregação; donde resulta assim que a Igreja não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência [1]

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Os padres conciliares pretenderam também, com este documento, que:

a leitura e estudo dos livros sagrados, «a palavra de Deus» se difunda e resplandeça (2Tess 3,1), e o tesouro da revelação confiado à Igreja encha cada vez mais os corações dos homens [2].

Eis o que ensina a Santa Igreja sobre o Verbo de Deus:

A REVELAÇÃO EM SI MESMA

Natureza e objecto da revelação

2. Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cfr. Ef. 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cfr. Ef. 2,18; 2 Ped. 1,4). Em virtude desta revelação, Deus invisível (cfr. Col. 1,15; 1 Tim. 1,17), na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos (cfr. Ex. 33, 11; Jo. 15,1415) e convive com eles (cfr. Bar. 3,38), para os convidar e admitir à comunhão com Ele. Esta «economia» da revelação realiza-se por meio de acções e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal maneira que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido. Porém, a verdade profunda tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação dos homens, manifesta-se-nos, por esta revelação, em Cristo, que é, simultâneamente, o mediador e a plenitude de toda a revelação (2).

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A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA

Os apóstolos e seus sucessores, transmissores do Evangelho

7. Deus dispôs amorosamente que permanecesse integro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para salvação de todos os povos. Por isso, Cristo Senhor, em quem toda a revelação do Deus altíssimo se consuma (cfr. 2 Cor. 1,20; 3,16-4,6), mandou aos Apóstolos que pregassem a todos, como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, o Evangelho prometido antes pelos profetas e por Ele cumprido e promulgado pessoalmente (1), comunicando-lhes assim os dons divinos. Isto foi realizado com fidelidade, tanto pelos Apóstolos que, na sua pregação oral, exemplos e instituições, transmitiram aquilo que tinham recebido dos lábios, trato e obras de Cristo, e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo, como por aqueles Apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação (2).

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1 resposta »

  1. Sabe-se que Deus não pode se contradizer. É fato que além das Escrituras, todo cristão conta com a ajuda preciosa do Espírito Santo para guiá-lo em toda a Verdade, pois Jesus o designou como outro Consolador que estaria conosco, a sua Igreja amada, todos os dias até a consumação dos séculos. Inclusive também é fato, que sem a ajuda do Espírito Santo, a Bíblia se torna um livro comum, repleto de alegorias. Na primeira parte do texto acima, se encontra a seguinte afirmação: “Tradição e Escrituras Sagradas constituem o Depósito da Fé em perfeita harmonia, uma não pode contradizer a outra”. Tal afirmação não procede no catolicismo, pois em diversos pontos, o que é chamado de Tradição, constitui uma tremenda contradição das Escrituras. Um exemplo clássico, é que em parte alguma da Bíblia Sagrada, Deus manda que se cultue os santos e Maria, mãe de Jesus, nem tão pouco as Escrituras ensinam que eles intercedem no Céu junto a Jesus. Outra coisa, durante séculos a igreja romana afirmou a existência do limbo, porém, em documento recente, o papa Bento XVI, negou a existência de tal lugar, isto não é uma contradição? A santa inquisição instituída pelos papas, também não foi contradição? Muitos dogmas, foram afirmados recentemente, principalmente os marianos, que colocam Maria indevidamente na condição de co-redentora com Cristo, contrariando completamente as Escrituras Sagradas e a doutrina do Senhor Jesus e dos apóstolos, e assim, por aí vai. Alguém pode alegar que o cânon bíblico foi estabelecido pelo catolicismo, o que não é verdade, pelo menos não o Antigo Testamento, pois pelo que se sabe, a versão católica romana das Escrituras Sagradas foi adotada da Septuaginta, que por sua vez é uma versão escrita por setenta sábios de Alexandria no Egito, séculos antes de Cristo, numa época em que ninguém nunca nem se quer imaginava o que viria ser catolicismo romano. Portanto, o cânon estabelecido pela Igreja Católica se restringe aos vinte e sete livros do Novo Testamento, que coerentemente o mundo protestante também adota. Mas, veja que contradição, a igreja romana estabelece um cânon para os livros aceitos pelos cristãos, para serem seguidos a princípio como via de regra e prática, e logo em seguida, ao invés de procurar segui-los fielmente, se apostata completamente da doutrina ensinada em tais livros, para estabelecer e seguir fábulas, sob o falso pretexto de que é a tradição oral. Bem alertou o Espírito Santo em 2ª Timóteo 4:3,4 e também Jesus e os apóstolos falou a respeita da apostasia que surgiria na igreja. Portanto, devemos crer que a Bíblia Sagrada é a Palavra Deus e que somente nela se encontra toda a Tradição cristã apostólica necessária para a nossa salvação. A Tradição extra bíblica, precisa estar em pleno acordo com as Escrituras Sagradas para ser válida, caso contrário, não passa de fábula e de apostasia. É a Tradição que tem que se adequar à Bíblia e não Bíblia à Tradição.

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